quinta-feira, 8 de novembro de 2018

O potencial dos animais para tornarem tratamentos médicos mais humanizados


Descrição para cegos: Mulher idosa recebe atendimento médico acompanhada por um cão. 

Anderson Costa

Na medicina uma prática que vem a cada dia ganhando mais adeptos é a Terapia Assistida por Animais (TAA), ou Zooterapia como a prática também é conhecida. Desde o final do século XIX existem relatos médicos das vantagens obtidas através da inserção de animais no tratamento de diversos pacientes ou sobre o efeito positivo do convívio destes pacientes com animais de estimação como uma forma de tornar o processo do combate à doença menos doloroso e mais efetivo.


Os primeiros relatos médicos sobre os efeitos positivos do uso de animais se deu principalmente na área da psicologia e da psiquiatria em que os médicos conseguiram relatar de modo efetivo os efeitos positivos no tratamento de pacientes com doenças psicossomáticas. Segundo as descrições após a inserção dos cães e dos gatos ao convívio destes pacientes os mesmos tornavam-se mais sociáveis e estáveis emocionalmente. Durante a década de 1950 a psicóloga e psicoterapeuta brasileira Nise da Silveira fez uso de cães e gatos, animais que nomeou de coterapeutas, no tratamento de pacientes esquizofrênicos. No ano de 2005 foi realizado, em Israel, um estudo científico em que dois grupos de pacientes foram submetidos a uma série de sessões com os seus terapeutas, um dos grupos era atendido em salas que continham cães, enquanto o segundo grupo foi atendida unicamente pelo terapeuta. Ao fim do estudo os cientistas conseguiram comprovar que os pacientes presentes nas salas com os cães reagiram de forma mais positiva aos estímulos praticados em cada sessão.

Mais recentemente a medicina também passou a adotar a equoterapia ou o uso de cavalos como componentes fundamentais no tratamento de crianças e adultos que sofrem de doenças diversas, como uma grande arma para a evolução de pacientes que sofrem com doenças crônicas. Em pacientes que possuem alguma limitação no andar a vantagem do tratamento com equinos se deveria devido à semelhança na forma que estes animais movimentam-se em relação aos seres humanos. Ao praticar a montaria o paciente recebe um grande número de estímulos nervosos que agem diretamente no sistema neural do paciente e facilitando que o cérebro processe movimentos de buscar objetos e várias outras formas de evolução relatadas nos casos tratados com este método.

A presença de animais de estimação como uma forma de amenizar o sofrimento de pacientes que possuem algum tipo de doença crônica também são largamente relatados tanto na bibliografia médica quanto em diversas matérias da imprensa ao redor do globo.

Um caso que muito emblemático deste poder que os animais de estimação possuem na recuperação dos seus donos é a história do jovem norte-americano Bailey Smithson que nasceu com uma doença cárdica congênita que o faz sofrer com crises muito sérias desde o seu nascimento, aos cinco anos de idade Bailey desenvolveu epilepsia e aos sete anos de idade foi diagnosticado com um Transtorno do Espectro Autista.

Durante toda a sua vida Bailey sofreu com várias crises ocasionadas pelo seu problema cardíaco e agravadas pelas outras doenças, que faziam com que ele precisasse tomar muitos remédios ao longo dos dias e que tinham um grande impacto na sua saúde. A realidade do jovem norte-americano mudou após ele ganhar um cão da raça american bully de um casal de amigos criadores, os pais de Bailey relatam que após levar o filhote para casa foi possível notar a diminuição nas crises que o garoto enfrentava até o momento em que foi possível retirar a medicação que lhe havia sido prescrita anteriormente sem que ele voltasse a sofrer com as crises. Bailey afirma que o amor incondicional que lhe é fornecido pelo seu animal foi o que permitiu a evolução do seu quadro clínico.

A psicóloga Danielle Pataco, que atua no Rio de Janeiro, falou um pouco sobre o estudo realizado por ela sobre o impacto do uso de animais no tratamento de indivíduos com doenças dissociativas como a esquizofrenia e o autismo, que fazem com que os indivíduos fechem-se em torno de si mesmos dificultando o estabelecimento de elos com a sociedade. Segundo Danielle, a vantagem dos animais seria conseguirem estabelecer com maior facilidade este elo social com o paciente, permitindo que aos poucos este indivíduo consiga reestabelecer os laços com outras pessoas e adotarem vidas rotineiras dentro de suas possibilidades.

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