Descrição
para cegos: Mulher idosa recebe atendimento médico acompanhada por
um cão.
Anderson Costa
Na medicina uma prática que vem a cada dia ganhando
mais adeptos é a Terapia Assistida por Animais (TAA), ou Zooterapia como a
prática também é conhecida. Desde o final do século XIX existem relatos médicos
das vantagens obtidas através da inserção de animais no tratamento de diversos
pacientes ou sobre o efeito positivo do convívio destes pacientes com animais
de estimação como uma forma de tornar o processo do combate à doença menos
doloroso e mais efetivo.
Os
primeiros relatos médicos sobre os efeitos positivos do uso de animais se deu
principalmente na área da psicologia e da psiquiatria em que os médicos
conseguiram relatar de modo efetivo os efeitos positivos no tratamento de
pacientes com doenças psicossomáticas. Segundo as descrições após a inserção
dos cães e dos gatos ao convívio destes pacientes os mesmos tornavam-se mais
sociáveis e estáveis emocionalmente. Durante a década de 1950 a psicóloga e
psicoterapeuta brasileira Nise da Silveira fez uso de cães e gatos, animais que
nomeou de coterapeutas, no tratamento de pacientes esquizofrênicos. No ano de
2005 foi realizado, em Israel, um estudo científico em que dois grupos de
pacientes foram submetidos a uma série de sessões com os seus terapeutas, um
dos grupos era atendido em salas que continham cães, enquanto o segundo grupo
foi atendida unicamente pelo terapeuta. Ao fim do estudo os cientistas
conseguiram comprovar que os pacientes presentes nas salas com os cães reagiram
de forma mais positiva aos estímulos praticados em cada sessão.
Mais
recentemente a medicina também passou a adotar a equoterapia ou o uso de
cavalos como componentes fundamentais no tratamento de crianças e adultos que
sofrem de doenças diversas, como uma grande arma para a evolução de pacientes
que sofrem com doenças crônicas. Em pacientes que possuem alguma limitação no
andar a vantagem do tratamento com equinos se deveria devido à semelhança na
forma que estes animais movimentam-se em relação aos seres humanos. Ao praticar
a montaria o paciente recebe um grande número de estímulos nervosos que agem
diretamente no sistema neural do paciente e facilitando que o cérebro processe
movimentos de buscar objetos e várias outras formas de evolução relatadas nos
casos tratados com este método.
A
presença de animais de estimação como uma forma de amenizar o sofrimento de
pacientes que possuem algum tipo de doença crônica também são largamente
relatados tanto na bibliografia médica quanto em diversas matérias da imprensa
ao redor do globo.
Um
caso que muito emblemático deste poder que os animais de estimação possuem na
recuperação dos seus donos é a história do jovem norte-americano Bailey
Smithson que nasceu com uma doença cárdica congênita que o faz sofrer com
crises muito sérias desde o seu nascimento, aos cinco anos de idade Bailey
desenvolveu epilepsia e aos sete anos de idade foi diagnosticado com um
Transtorno do Espectro Autista.
Durante
toda a sua vida Bailey sofreu com várias crises ocasionadas pelo seu problema
cardíaco e agravadas pelas outras doenças, que faziam com que ele precisasse
tomar muitos remédios ao longo dos dias e que tinham um grande impacto na sua
saúde. A realidade do jovem norte-americano mudou após ele ganhar um cão da
raça american bully de um casal
de amigos criadores, os pais de Bailey relatam que após levar o filhote para
casa foi possível notar a diminuição nas crises que o garoto enfrentava até o
momento em que foi possível retirar a medicação que lhe havia sido prescrita
anteriormente sem que ele voltasse a sofrer com as crises. Bailey afirma que o
amor incondicional que lhe é fornecido pelo seu animal foi o que permitiu a
evolução do seu quadro clínico.
A
psicóloga Danielle Pataco, que atua no Rio de Janeiro, falou um pouco sobre o
estudo realizado por ela sobre o impacto do uso de animais no tratamento de
indivíduos com doenças dissociativas como a esquizofrenia e o autismo, que fazem
com que os indivíduos fechem-se em torno de si mesmos dificultando o
estabelecimento de elos com a sociedade. Segundo Danielle, a vantagem dos
animais seria conseguirem estabelecer com maior facilidade este elo social com
o paciente, permitindo que aos poucos este indivíduo consiga reestabelecer os
laços com outras pessoas e adotarem vidas rotineiras dentro de suas
possibilidades.

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